quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Presentes de Natal

Prendas de Natal que gostariamos de receber em vez das que nos oferecem:
- Toalhas de cozinha - manta de lã para fazer amor no chão
- Panos de cozinha - preservativos com sabores
- Pegas - algemas
- Electrodomésticos - vibradores
- Vaucher para lojas de electrodomésticos - vaucher para um spa
- Livros de cozinha - revistas pornográficas
- Chávenas de café - uma garrafa de champanhe Moët & Chandon
- Saladeiras - bolinhas contra o stress (vende-se na Natura)
- Pratos de aperitivos - bombons
- Castiçais - velas
- Filmes intelectuais - filmes pornográficos
- Romances chatos - kamasutra
- Colares - coleiras
- Conjuntos de atoalhados - lençois de cetim
- Pijamas - lingerie sexy
- Cachecol e luvas - cordas e chicote
- Camisola de lã - farda de criada francesa
- Chinelos - sapatos de saltos altos agulha
- Peúgas - sais de banho
- Cuecas da avózinha - cuecas comestíveis
Aceitam-se sugestões para acrescentar à lista assim, nesta época stressante, esperamos ser úteis para quem precisar de uma ideiazita.

Pensamentos loucos IV

"Eu devia ter sido psiquiatra. Já que só atraio gente louca, ao menos tinha o consultório cheio!"

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Pensamentos loucos III

"Acho que há tantos ou ainda mais loucos, cá fora, do que há internados!!!"

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Pensamentos loucos II

"Se o meu chefe fosse mulher não seria mais sexy do que é hoje!!! (ou, seria tão pouco sexy como é hoje!!!)"

Pensamentos loucos I

"Desde ontem que a Páscoa virou uma Senhora Coelho."

Chicas e Sanatorius

(o argumento que Hitchcock nunca escreveu, o casting que David Lynch nunca fez, o filme que Almodóvar nunca realizou)

Chovia a cântaros e logo no dia em que Kika, Magdalena e Igdalina, nome espanhol de Francisca, Madalena e Idalina, respectivamente, podem almoçar fora da instituição.
Igdalina lembrou-se de um restaurante , sugerido por um amigo, marido de uma amiga, internado noutro bloco de Loures - "Acho que tem duas estrelas michelin!"
Kika, bulímica desde que nasceu, adorou a sugestão - "O vómito fica com um odor mais chique!"
Magdalena encolhe os ombros e pensa: "Gente doida!"
"Quinta da Charrua" é esse o nome - grita excitada Igdalina.
Saíram de Bucelas e seguiram por Mulholand Drive (Califórnia). Kika e Magdalena íam em silêncio, não se via a estrada e ao longe um ou outro relâmpago.
"Acho que é aqui..." - pensou Igdalina.
Têm que sair da estrada principal e entram numa secundária de terra batida.
Uma tabuleta com o nome "Quinta da Charrua" abana violentamente com a tempestade.
Ao longe uma casa, outrora uma mansão, parece abandonada pelo tempo...
Mas não... vê-se uma silhueta do que parece ser uma velha mulher com o cabelo apanhado!
"Mau cabeleireiro, uns rolos ficaria melhor." - pensa Magdalena.
Viram à direita, o restaurante é num anexo semelhante a um motel e não nessa casa.
Perto da entrada, dois baloiços deslocam-se como se duas crianças estivessem a andar neles e ouvem-se risos e choros infantis...
À porta um homem: olhar de "cereal Killer" (soubemos mais tarde que foi trabalhador rural e andava na apanha da aveia, trigo, centeio e girassol), cabelo oleoso colado à testa (um misto de Toni and Guy e Facto Lab - cabeleireiros no Chiado), não tinha dois dentes na frente-lateral esquerda - "Talvez um membro do Fight Club!", pensou Kika que tinha aderido à pouco também a esse grupo. Repararam mais tarde que o homem, que devia ter entre 25-55 anos, arrastava uma perna.
"Conheço esta cara de algum lado..." - pensa Kika, uma verdadeira dependente de terapias de grupo, nos últimos meses ocupa a sua semana em grupos como: AA (acidentados anónimos) à 2.ª-feira, GD (Gojo dependentes - Gojo: líquido desinfectante de uso obrigatório no bloco principal) à 3.ª-feira, BP (budistas portugueses) à 4.ª-feira, FI (facebook independentes - pessoas a quem o acesso ao "livro das caras" foi retirado, mas que não sofreram com a perda) à 5.ª-feira, MD (Melissa dependentes - Melissa: marca de sapatos em borracha) à 6.ª-feira. "Será do Bloco de Loures? Do Júlio de Matos? Do Miguel Bombarda?"
Lembrou-se de uma imagem que tinha visto à tempo no jornal.
"Já sei, é o esboço que Jane Tuner descreveu à PJ do raptor de Maddie!" - afirma histérica Kika virando-se para as suas colegas de tratamento.
"Oh não, lá vem ela com mais Maddiologia!" - queixa-se Magdalena.
Entram a medo naquele restaurante. No ar um cheiro a talho (ou a sangue) lembrou as aulas de medicina legal de Magdalena, aspirante a advogada, se não tivesse enlouquecido durante o estágio.
O empregado trouxe-lhes, sem deixar cair, pão de aspecto caseiro e manteigas. A "decorar" a mesa um jarro com flores de plástico e pó.
De vez em quando as chicas desviavam-se das moscas que pareciam estar domesticadas para atacar clientes. O pão estava duro, talvez tivesse sido feito no dia em que o último cliente ali esteve (e não saiu)...
Começam a entrar "pessoas" que mais fazem lembrar aqueles mercados, num planeta da StarWars. Igdalina de certeza que pensou que tudo aquilo "não estava de acordo com a sua condição", frase usada por si até à exaustão, quando estava em estado catatónico ou em overdose de Xanax.
Cordas com "nó de enforcado" pendem das traves de madeira.
Comem o mais rapidamente possivel, não sabem o quê...
Empurram Kika para que esta pague, pois como anda com lapsos de memória, provavelmente esquecerá a dívida.
Ultrapassam uma barreira de lama que se juntou à volta do carro.
Igdalina verificou que tinha estacionado em cima de areias movediças.
Atiram-se para dentro do carro, voltam a apanhar Mulholand Drive e depois Bucelas Road. Desta vez não batem em qualquer carro que surja em sentido contrário. Acham...
Já na instituição e em estado de choque são abordadas por Gustavo à saida do elevador. Este pergunta "Almoçaram bem?" - frase sugerida numa terapia de grupo a este doente na tentativa de curar a sua fobia a "encontros para os quais não foi convidado, mas que gostaria de ter sido, não fosse a sua timidez e falta de coragem para insinuar a sua presença num simples almoço". (Uff! Há doenças com nomes muito compridos.)

As coisas boas, perdão, as únicas coisas boas do escritório onde trabalhamos...

"France Telecom: já se suicidaram 24 trabalhadores"
Para evitar este desespero convêm que cada trabalhador faça a sua própria lista, aqui vai a nossa:
- Ganhar algum dinheiro;
- Ganhar experiência em lidar com gente "doida", os chefes;
- Café de borla (e água e papel higiénico);
- Rebuçados de mentol com que somos presenteadas quase diariamente pelo Dr. J.G.;
- Internet grátis;
- Acesso ao Facebook durante um mês, o que nos permitiu aderir e coscuvilhar a vida de amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos;
- Gojo (desinfectante para as mãos instalado no escritório por causa da Gripe A);
- Permitiu-nos um período Lour-curas levando-nos a conhecer pessoas interessantes no sanatório;
- A ausência de interesse do trabalho realizado levou-nos a criar um blog para "descarregar" a nossa criatividade;
Se nem um item tiver na sua lista, então suicide-se ou, antes disso, tente mudar de emprego!!!